Normalmente a crença religiosa é vista como uma manipulação psicológica, adivinda geralmente por um ou vários fenômenos atípicos na vida do indivíduo crente. Tais fenômenos são descritos como sobrenaturais, miraculosos e originados por uma força superior à todas as outras forças.
A concepção ateísta, digo até, uma concepção bastante corajosa por sinal, pois é a negação de uma negação, não fica muito atrás dessa "manipulação psicológica". Muitas pessoas, adeptas ou não da teoria marxiana, que em algum momento da vida se depararam com essa incógnita sobre a "dominação" religiosa ou a crença em algo "mitológico", têm uma base teórica ou empírica relacionada a essa vontade intrínseca de ser dono do seu próprio nariz. Qual adolescente nunca pensou ou fugiu de casa em um momento da vida? Essa rebeldia pode também ser aprisionada quando se é OBRIGADO a aceitar alguma doutrina ou dogma religioso. Nesse caso, a dúvida universal voltará anos mais tarde, de forma até mais intensa, como no caso do grande Dan Baker, ex-pastor protestante. Isso não implica, obviamente, quebra de livre-arbítrio, pois até hoje eu busco entender minha fé e Deus ainda não me matou.
Então, qual o meu referencial teórico para tais afirmações? Bom, já li Karl Marx (até um pouco demais), Hilferding, Rosa de Luxemburgo, entre outros. Mas meu referencial é bem mais empírico. Quase todos os conhecidos que fizeram parte de grupos sindicais ou de movimento revolucionário são ateus ou agnósticos. É como se a entidade Igreja deixasse de ser uma forma de apoio social, restringindo-o exclusivamente ao Estado. Mas o Estado cumpre seu papel com eficiência? O Estado serve a população promovendo melhoria do bem-estar coletivo? Atribuí-se muito à Igreja a causa de atraso e dos problemas sociais, como se ela não fosse amenizadora disso tudo! Nesse aspecto existe até certa hipocrisia, visto que muitos destes pseudo-revolucionários não movem um dedo para ajudar o próximo, apenas escrevem artigos pouco mobilizadores ou apenas críticos, sem soluções concretas.
Engraçado que muitos criticam as lutas medievais entre as religiões (eu também não concordo com estas) mas são a favor da luta por um ideal socialista antiquado, onde a quase operária (bem) vence "no braço" a classe gerenciadora (mal). Ou seja, Marx não queria ninguém mandando nele, mas queria operários mandando nos outros, desprezando simplesmente o Lupen proletariado. Não existe apenas um trabalhador que ganha pouco. Se olharmos bem, existe pessoas que não trabalham, que passam fome, que não têm condições de inserção na sociedade.
Acredito que sem o ateísmo, a fé dos cristãos seria bastante relaxada. Até porque a negação veio também de grandes gênios da física, química e matemática que viram a necessidade de uma busca interna por algo que transcendesse tudo que eles podessem imaginar, mesmo que ao final, no desconhecido material encontrassem um Deus.
Se chega um líder revolucionário pra você e diz que o Vaticano é rico, poderia acabar com a fome, o Papa come com talheres de ouro e blá blá blá, talvez você iria dizer "ele tem razão", mas dificilmente iria procurar na Folha de São Paulo ou em outros jornais ou artigos que o Vaticano tem elevados déficits fiscais por anos consecutivos, mas que nem porisso deixa de ajudar milhões de crianças abandonadas, AIDéticos, pobres na África, etc. É tudo uma questão de ponto de vista e de quem realmente manipula mentes. Se seu ponto de vista for de cima pra baixo, Deus será com letra minúscula sim, mas se você olhar do ponto de vista de um simples mortal, como todos os 7 bilhões do mundo, e quiçá de outros planetas, a tua humildade irá revelar algo que nenhuma teoria das cordas ou da retórica é capaz de explicar. Então, busque além de suas fronteiras céticas, busque além das fronteiras do positivismo lógico.
Atenciosamente, um simples ser humano.
Um blog criado para apresentar minha opinião sobre vivências cotidianas, sejam estas nas áreas onde tenho formação, sejam em áreas onde sou realmente leigo. Espero agradar os mais curiosos. Sejam bem vindos!
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
sábado, 14 de janeiro de 2012
"América Latina" do "Terceiro Mundo"...
"O terceiro sexo, a terceira guerra e o terceiro mundo são tão difíceis de entender..." (Engenheiros do Hawaii)
Estou lendo um livro muito interessante do Roberto Campos, o Além do Cotidiano. Nele o autor faz previsões na década de 80 de fatos que estão acontecendo atualmente. Dizem que os economistas erram previsões, mas creio que as errem apenas quando utilizam modelos matemáticos em excesso. O que o economista, teólogo, filósofo, e etc. toma como um ponto importantíssimo a destacar é a utilização demasiada de expressões tachativas, tais como as citadas no título deste texto.
A respeito da América Latina, são países com características econômicas e sociais diferentes, com processo de colonização não homogêneo, e que vem experimentando ideologias diferentes... Porém, o ponto central é a denominação de Terceiro Mundo. Brilhantemente o autor refere-se a este enfoque, mesmo para os anos 80, onde os países latinos ainda não tinham tanta representatividade econômica como no contexto atual. Para o autor, é exagero essa classificação, pois assim deveriam existir ainda um Quarto Mundo, pois há um grau abaixo de desenvolvimento que jogaram dentro dessa quassificação de Terceiro Mundismo.
Na minha opinião é como separar ateus e agnósticos, cristão fundamentalista e tradicionalista, porque é tudo uma confusão muito grande. E são as desigualdades dos países que promovem isso... Se você olhar pro Sudeste do Brasil, verá um Primeiro Mundo (em termos econômicos), no geral o Brasil é "a periferia do Terceiro Mundo", expressão do R. Campos.
Temos uma infra-estrutura econômica precária e uma estrutura social precaríssima! Utilizar esses termos tachativos é bom quando se quer utilizar o "culpismo", muito bem exposto por Gianetti (2011) como forma de explicar o atraso econômico, já que dizer "somos pobres porque os EUA são ricos" é muito coerente do ponto de vista de um revoltado, mas talvez antes da década de 80 o protecionismo, o medo da tecnologia, do novo, dos investimentos internos, pode ter promovido o aumento do nosso atraso tecnológico. O medo foi nosso atraso, bem mais do que o imperialismo. Realmente, o terceiro mundo é difícil de entender... E Terceiro Mundo não indica pobreza, indica apenas os que chegaram atrasados na festa e não souberam aproveitar.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Belo Monte, uma crítica construtiva (para sua construção)
Eu poderia continuar defendendo a preservação da amazônia, mas vou ser radical, no sentido de enfatizar o "desenvolvimento" nesse artigo de pouco conteúdo teórico e muito conteúdo opinativo. É óbvio que a energia eólica pode causar a morte dos passarinhos e que a energia solar depende do Sol! Logo, a viabilidade destas pode ser contestada, principalmente pelos seres vivos sem amor pela natureza.
Então, vamos destruir um pouco das nossas matas, e depois mais um pouquinho, e assim, juntamente com a destruição gigantesca anual podemos eliminar mais rápido ainda esse mato do país. A nossa racionalidade "humana", que cada vez mais parece ser tachada como uma reacionalidade que não precisa de cultura, de sociologia, de filosofia, e em alguns casos, que não necessita de arte, nos lança num abismo puramente econômico cujo fundo está impregnado por uma ilusão denominada bem-estar. Se o desenvolvimento é tão urgente, porque os EUA estão tão caóticos, assim como a Itália, França... e num futuro próximo a própria China? (E talvez seja a própria liberdade financeira que favorece isso).
Desenvolver é preciso, mas desmatar também é preciso? Logo, creio que precisaremos queimar madeira para retrocedermos AINDA mais na escala evolutiva. Belo Monte pode gerar bem-estar relativo e reduzir nossa escassez de energia, mas imaginem, caros leitores, se todos nós vivêssemos em busca da luxúria? Estaríamos mortos asfixiados por um país robotizado de concreto e gases tóxicos. Vamos desenvolver, mas crescer "equilibrado" a 6% ao ano acho meio complicado e arriscado, já que estamos criando instituições incontroláveis e assassinas!
Então, vamos destruir um pouco das nossas matas, e depois mais um pouquinho, e assim, juntamente com a destruição gigantesca anual podemos eliminar mais rápido ainda esse mato do país. A nossa racionalidade "humana", que cada vez mais parece ser tachada como uma reacionalidade que não precisa de cultura, de sociologia, de filosofia, e em alguns casos, que não necessita de arte, nos lança num abismo puramente econômico cujo fundo está impregnado por uma ilusão denominada bem-estar. Se o desenvolvimento é tão urgente, porque os EUA estão tão caóticos, assim como a Itália, França... e num futuro próximo a própria China? (E talvez seja a própria liberdade financeira que favorece isso).
Desenvolver é preciso, mas desmatar também é preciso? Logo, creio que precisaremos queimar madeira para retrocedermos AINDA mais na escala evolutiva. Belo Monte pode gerar bem-estar relativo e reduzir nossa escassez de energia, mas imaginem, caros leitores, se todos nós vivêssemos em busca da luxúria? Estaríamos mortos asfixiados por um país robotizado de concreto e gases tóxicos. Vamos desenvolver, mas crescer "equilibrado" a 6% ao ano acho meio complicado e arriscado, já que estamos criando instituições incontroláveis e assassinas!
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quinta-feira, 13 de outubro de 2011
POBREZA VOLUNTÁRIA OU POBREZA INVOLUNTÁRIA?
Um debate que talvez merecesse maior atenção para as autoridades desenvolvimentistas devesse ser acerca do tipo de pobreza que deve ser realmente combatido. Claro que o governo e sua atuação tem grande influência no nível de pobreza de uma sociedade. Porém, o que deve ser debatido é o porquê de grande parte da população se sentir "desmotivada" a produzir e gerar novos produtos, novas tecnologias e claro, aumentar a produção do que já produzimos?
Talvez a educação no país tem atuado ineficientemente, mas também os programas de transferências do governo apresentam gestão bastante falha, visto que a pobreza tende a ser mantida. Não digo dos casos em que os incentivos são para os que se matriculam, por exemplo, em escolas técnicas, como o governo da Paraíba pretende fazer. Digo sim, dos incentivos que tornam maior a ociosidade da população. Evidentemente, a busca pelo bem-estar social é o grande trunfo do governo, porisso mesmo a sociedade não deve se acomodar.
Muitas pessoas foram imensamente beneficiadas pelas tranferências do governo, muitas crianças deixaram de morrer de fome e muitas mães puderam dormir sem se preocupar com o alimento do dia seguinte. Isso é maravilhoso. Mas o que falar da população pobre, mas que é pobre, mesmo tendo condições de não ser, e não corre atrás? Há uma pobreza estrutural e uma involuntária no país. Portanto, uma grande parcela da populaçção que reclama de sua pobreza convive muito bem com ela, a ponto de não buscar uma solução e sim esperar que o governo mande mais peixes e menos varas de pescar.
Por fim, há uma população pobre refém de uma população pobre marginalizada e destituída de ideais. Desse modo, uma das poucos soluções viáveis seria a melhoria do ensino sociológico e motivacional, visto que a ausência de oportunidades é fruto da própria ausência de busca por melhores condições, muitas vezes, esquecida até mesmo pelo poder político prevalecente.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
O BRASIL É INDEPENDENTE?
Dia 7 de setembro comemora-se o dia da independência do Brasil. Tal data poderia ser acrescida de uma palavra bem simples, que talvez tirasse um pouco essa imagem de país que não é independente. O dia 7 de setembro poderia ser o dia da independência política do Brasil.
Apesar de não estarmos mais submissos às ordens das metrópoles européias, estamos dependentes de uma "metrópole oriental", a China. Esta metrópole tem feito o Brasil continuar na rotina de exportador de matérias-primas e importador de manufaturados! Vejam que ironia não é mesmo? Talvez esse questionamento podesse se estender ao dia da Proclamação da República, mas acho a Independência do Brasil mais oportuno.
Pois bem, será talvez que a culpa de nossa tão sublime dependência é justamente a China, esse país com grande capacidade empresarial e boa gestão estatal? Não, pois são exatamente essas qualidades chinesas que nos faltam! O Brasil é refém de si mesmo, muito embora as condições de trabalho pareçam ( e são) menos "exploratórias" no Brasil, excetuando o comércio, cujas cargas horárias de trabalho são, em muitos casos, humilhantes.
Concluindo essa crítica, a independência econômica de nosso país esta bem longe de ser uma realidade, embora temos plena capacidade de nos desenvolver a base das exportações de commodities. A questão que fica é até quando? Vamos esperar outros países nos fuzilarem com suas maiores produtividades agrícolas cada vez mais dispares com a nossa? Continuaremos portanto, vendo em cada produto de nossos lares um MADE IN CHINA estampado? Vivam nossas independências de Portugal, Inglaterra, EUA (parcialmente). Busquemos agora nossa independência econômica, muito embora isso não quer dizer produzir TUDO que precisamos internamente!
segunda-feira, 8 de agosto de 2011
O TÍTULO DESTE ARTIGO NÃO É UM TÍTULO AMERICANO!
O que se discute atualmente é se mais uma vez o problema vai ser adiado, o que geraria um custo ainda maior, como um devedor que toma emprestado para poder pagar uma conta prestes a vencer! A elevação do teto da dívida versus um decreto de moratória tem deixado os especuladores atiçados, preocupados, ou seja lá o que for. Tal problema, não irá fazer com o governo brasileiro venda títulos americanos, como dito pelo governo, o que não deve repercurtir muito em nosso câmbio. Até porque alguns analistas percebem que os EUA AINDA tem capacidade de se financiar apenas emitando moeda, já que tem a moeda padrão de troca no mundo.
Não querendo prolongar essa opinião minha bastante leiga, gostaria de entender o porquê dos holofotes brasileiros tão virados para o problema do Tesouro Americano, e agora do BCE, se internamente nossos problemas de dívida também existem? Para o bem da nação, a mídia com seus príncipios editoriais, deveriam garantir uma informação acerca dos problemas enfrentados internamente, quer sejam estes de ordem inflacionário, quer sejam de ordem previdênciário, problemas que são de fundamental interesse e cuidado na nossa economia.
As crises virão, os especuladores sabem muito bem disso! As informações de caráter da mídia (tv aberta) deveriam ter maior alcance para os interesses do cidadão médio, e não para um grupo que detém uma informação muito mais acessível. Espero que o Brasil consiga se sair bem dessa possível crise cujo fantasma ronda o Federal Reserve...
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