segunda-feira, 25 de maio de 2015

AJUSTE OU ENXUGAMENTO FISCAL?


    Não há lógica alguma em reclamar da necessidade de ajustes fiscais na economia, apenas da estrutura do ajuste. A crise atual é causada quase exclusivamente pelo excesso de crédito concedido a setores privilegiados e pela falta de poupança. O governo motiva investimentos ruins, os empresários (iludidos) movimentam grande soma de recursos para mão-de-obra e capital, e quando as frustrações daquela oferta monetária artificial batem à porta, só resta às empresas reduzirem os projetos, as construções, os empregos, e as novas inversões. 

      Estamos sim vivendo uma crise de superprodução, mas ela é desencadeada principalmente pela ineficácia pública na concessão de crédito, subsídio e financiamento. Além dessa bolha gerada nos setores "campeões" do BBB do governo, há uma imensa massa reclamando supostos "direitos sociais", setores burocráticos no serviço público gritando por salários bem acima da produtividade, grupos exigindo aumento de impostos (é, existe esse tipo de gente) etc. Sim, a crise também é causada pelas regalias que alguns chamam de "direitos sociais" e valorização (forçada) do salário. Infelizmente a oposição (PSDB, e até algumas vezes o próprio DEM) tenta ganhar a fama de oposição boazinha por esconder a realidade dos olhos do povo, mas tudo o que se tem feito é uma tentativa de enxugamento da máquina pública, não uma monstruosidade sobre direitos do trabalhador.

      A dispersão das bolhas de crédito para outros setores ocorre justamente porque setores como construção civil ficam com todo o "bolo" de recursos que são desviados de outros segmentos mais produtivos (e também do trabalhador) através de impostos e tarifas diversas. Isso termina causando falta de recursos para outros setores, inflação dos preços de produtos escassos (por conta dos produtos que deixaram de ser produzidos por conta da exclusividade dada pelo governo a alguns segmentos nacionais) e redução dos salários reais. Eu sou um ferrenho crítico do PT, mas me enche o saco ver a oposição dizendo "populisticamente" que agora o PT quer acabar com os direitos do trabalhador. Não, os direitos do trabalho já foram destruídos, agora precisamos restaurar o poder de compra e a possibilidade de escolha das pessoas, pois esse sim é um real direito de todos.

terça-feira, 1 de julho de 2014

FALTAM MÉDICOS?

Em grande parte dos países, desde os subdesenvolvidos até os de desenvolvimento estacionário, um dos problemas que mais afligem a população é a escassez de médicos e produtos de saúde. Se, por um lado, o mundo tem conseguido continuamente elevar a expectativa de vida e reduzir a mortalidade infantil, por outro lado, vivemos uma época onde os vícios e os exageros contra o organismo são problemas crescentes. No meio deste cabo-de-guerra encontram-se os governos em aflição por não conseguirem atender a demanda da população por serviços de saúde eficientes e de baixo custo.

Em torno desta escassez relativa, temos países que detém alto nível de médicos e população baixíssima, como Cuba, e outros com população bastante elevada e pouca quantidade de médicos para suprir a população, a exemplo dos EUA. Mas por que os EUA não conseguem elevar a quantidade de médicos?

Além da grande dificuldade para a atuação de médicos estrangeiros no país (burocracia governamental), os EUA são reféns dos dois primeiros critérios do cabo de guerra: redução da mortalidade e aumento da expectativa de vida. Após a década de 50 e a explosão dos Baby Boomers, o aumento populacional tem sido acompanhado de crescimento de profissionais de saúde em número inferior. Enquanto isso, países como Cuba atuam fortemente em formação e exportação de médicos, já que internamente dificilmente ganhariam um salário razoável. Ou seja, tudo parte da análise de oferta e demanda.

Os problemas cubanos são solucionados precocemente com o "genocídio uterino" de crianças através do aborto, restando apenas uma população que cresce a níveis ínfimos, não restando muita preocupação para as entidades médicas locais. O liberalismo em Cuba foi outro fator de grande relevância. Metade dos excelentes médicos cubanos do período pré-ditadura tiveram coragem de permanecer no país após o regime castrista ser imposto e se tornaram professores. A outra metade conseguiu fugir do país antes disso. Com poucos médicos, o país se dedicou a formar profissionais.

O crescente empenho de países desenvolvidos no investimento em setores variados causou uma melhoria intensiva da renda, acompanhada de uma considerável tendência ao consumo exagerado. Ademais a imigração intensiva para tais países, tidos como sonhos de consumo dos menos desenvolvidos agravou ainda mais o problema demográfico, juntamente com a elevação da expectativa dos Baby Boomers. Estratégias sujas de redução da população através de métodos anticoncepcionais e abortivos foram ampliadas, estrangeiros qualificados sendo remanejadas em áreas de atuação que não condiziam com as suas reais habilidades e uma seleção cada vez mais restrita de profissionais tornou a demora pelo certificado de médico uma dificuldade enorme.

O grande problema, contudo, vai além dessa análise de crescimento populacional e importação x exportação de médicos. O Instituto Mises Brasil possui excelentes artigos sobre o tema, que pode ser resumido em um aspecto central: Os EUA estão "emperrados" por conta do estado.

Na década de 50 o governo norte-americano criou uma demanda monstruosa ao propor que empresas que cadastrassem empregados em planos de saúde tivessem redução nos impostos. Além disso, os antecessores do atual Obamacare (que mais parece nome de absorvente) abarcavam uma série de produtos que não poderiam ser cobertos por planos de saúde por motivos lógicos de casos e classes de eventos. Ou seja, é como você ir ao rodízio e pagar R$ 15,00 mesmo sabendo que seu amigo irá comer muito mais pedaços que você, enquanto você apenas 2 ou três. O rodízio custa R$15,00 não por conta de seu gasto efetivado, mas por conta de serviços e despesas extras, como a fome de gordo do seu amigo. Além disso, a imposição estatal ainda coloca doenças como câncer e parkinson na lista, encarecendo imensamente o valor dos planos de saúde. Essa desproporcionalidade encarece, por conseguinte, os preços de consultas particulares, já que a demanda por médicos é maior e não se formam milhares de médicos bons da noite para o dia.

O resultado final é um sistema de saúde com médicos de ponta, mas com uma demanda gigante. A saúde não é um dever, é um bem, e como todo bem, seu preço não pode ser regulado artificialmente sem incorrer em perdas catastróficas no médio prazo. A medicina preventiva tem sido uma saída improvisada e importante de vários países. No Brasil infelizmente tem sido aleijada pela intervenção do estado. As marcações de consulta demoram de meses a anos e o paciente precisa voltar várias vezes ao médico para conseguir curar uma simples inflação na garganta. Estamos sem médicos para todo mundo, mas nem todo mundo precisa de médico... a procura só é imensa porque alguns intelectuais acham que a saúde é de graça. Antes de encerrar, gostaria de citar uma frase brilhante do DiLorenzo: "O fracasso em educar crianças faz com que o governo despeje mais dinheiro nas escolas públicas. O fracasso em reduzir a pobreza leva a maiores orçamentos para as burocracias assistencialistas. Isso certamente acontece também com a medicina socialista."

Como melhorar a saúde? Conheçam mais a Escola Austríaca:

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=105

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

RECURSOS NATURAIS OU RECURSOS ELEITOREIROS?





O Brasil tem sido a "galinha dos ovos de ouro" no exterior e a "galinha da igualdade" por certas entidades do país. Muitos partidários defendem que isso é reflexo das medidas políticas adotadas por nossos últimos presidentes. Mas será mesmo? Será que todo esse crescimento não é reflexo de uma intensificação especulativa e exploratória dos recursos, tais como as descobertas recentes de ouro e prata na Amazônia e do petróleo nas zonas de pré-sal? Qual o segredo do nosso aparente sucesso econômico, tendo em vista que somos um dos países mais corruptos do mundo?

Somos a galinha dos ovos de ouro, não porque botamos ovos, mas porque já temos os tais ovos de ouro em nosso subsolo. A exploração dos recursos naturais é a forma mais fácil de crescer, e isto é uma lição que tiramos desde os tempos remotos da invasão econômica portuguesa. A forma de exploração tem mudado de face, somos a "menina dos olhos" dos especuladores, que minam não mais as nossas Minas, mas nossas Amazônias, nossos Matos e nossos mares. Pior seria se o governo se fechasse em não querer os investimentos privados, mas isso já é outra história...

Somos, indubitavelmente, o país com maior disponibilidade de recursos naturais do planeta, mas praticamente só crescemos por conta disso. Segundo relatório do UNU-IHDP para o Rio+20, o crescimento real da economia brasileira - de 1990 até 2008 - foi de apenas 3%, considerando todos os fatores sociais, ecológicos e econômicos. O PIB cresceu 34%, mas o capital natural caiu 46%. No mesmo relatório, a Índia aparece com crescimento de 120% e perda de 31% do capital natural! Ainda é possível analisar que o Brasil reduziu mais os recursos naturais per capita que países como EUA e China.

Podemos concluir que o Brasil continua uma mera economia exploratória de recursos naturais?

Além dos consideráveis problemas estruturais e institucionais, continuamos abastecendo a "metrópole" internacional de commodities (minério de ferro, petróleo bruto etc.), e recebendo produtos mais elaboradoras (combustíveis, automóveis etc.). Inclusive, como apresentado pelo Estadão recentemente, voltamos a apresentar déficit na balança comercial agora ao final de janeiro, na ordem de R$ 2 bilhões. Ou seja, nem as commodities e a desvalorização cambial estão dando conta do recado.

Um relatório de 2012, publicado pelo Ipea, demonstra de forma bem ampla os danos causados por essa massiva participação de setores intensivos em recursos naturais para a economia, embora tente puxar a sardinha para o lado da distribuição espacial (o que parece coisa de cepalino.). Ao meu ver, a distribuição da produção não tem grande importância se comparada com a mudança na forma de desenvolver, atuando mais em setores intensivos em capital e trabalho. Esta seria a minha proposta, além de educar a população (preferencialmente educação técnica), reduzir gastos excessivos e aprender a não usar recursos naturais para propagar política partidária. Não precisamos crescer muito para mostrar que somos bons, precisamos crescer de forma organizada.

O que é inegável, contudo, é que o fim do monopólio estatal de setores estratégicos, como petróleo e minério, foi estimulante para o crescimento. Isto é usado a favor do governo em seus discursos, não em favor do próprio setor privado. Ora, a Petrobrás tem sido uma grande empresa graças à abertura de capital, e não o contrário. Infelizmente o interesse político tem "estado" competindo em cabo-de-guerra com os interesses produtivos da empresa. Ora, é um absurdo econômico não elevar o preço de um bem quando este é escasso, e recursos naturais são essencialmente escassos. Talvez o crescimento não fosse nem de míseros 3% caso algumas atividades de exploração de recursos naturais não tivessem sido privatizadas/concedidas. Em outras palavras, precisamos abandonar o "modo de produção novo-mercantilista" e adotar realmente o modo de produção capitalista.

Obs.: Todo esse discurso sobre desgaste dos recursos naturais não me coloca como um "ecofascista". Defendo, entre outras coisas, a construção da usina de Belo Monte e a educação de índios.

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

VOCÊ RECLAMA DO POLÍTICO CORRUPTO?

Será que se político fosse um arquivo executável, os brasileiros leriam os termos de uso antes de clicar em aceitar? Muitos de nós, além de querer baixar o pirata, iria preferir pular essa parte tediosa de leitura de termos e modo de usar... Daí começa a travar e corromper arquivos, igual o meu GTA pirata... kkkk
Só fiz essa comparação para mostrar que procuramos maneiras de facilitar a vida e ganhar dinheiro de forma mais fácil, como qualquer bom corrupto. Pode ser pedindo um cartão de meia-entrada emprestado, usando uma ficha de banco que você achou no chão e era bem mais próxima do que  a que você tirou, participando de projeto que exige dedicação exclusiva na universidade e mesmo assim trabalhar por fora etc. São essas mesmas pessoas que cobram maior compromisso por parte dos políticos. Precisamos formar pessoas íntegras antes de tudo.

sábado, 27 de julho de 2013

"E VOCÊ DE QUE LADO ESTÁ? EU ESTOU DO LADO DO BEM..."

A Dilma bota umas ONGs meia-boca para mamarem nas tetas do governo (além de algumas que tomam "leite importado") e, como retribuição, estas promovem protestos para acabar com seus concorrentes. Começando pelo Cabral e pelo Alckmin, sendo que o primeiro é pertencente ao "pega tudo por dinheiro" PMDB, décadas antes um rival da ARENA (conservadora e amigável ao Regime Militar)... É tudo um "pesque-pague" bem feito. Tenho até minhas dúvidas sobre a Abin infiltrada nas manifestações junto à PM, já muito fatigada por escândalos midiáticos... Prefiro não ser conivente com as benesses partidárias da nossa salada mista de centro-esquerda-direita-cima-baixo-puxa-e-vai.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

INEFICIÊNCIA ACADÊMICA...

Não é de hoje que nosso país enfrenta obstáculos enormes com relação ao nível superior de ensino. Nesses últimos cinco anos da faculdade aprendi muita coisa importante para a minha formação e muita coisa desnecessária. Ora, é necessário encher linguiça, digo, preencher a grade do curso com pelo menos uns oito períodos de cadeiras complementares... ou não. Como economista "recém-nascido" aprendi temas "imprescindíveis" para o meu futuro PROFISSIONAL, como a Lei Maria da Penha e o inglês técnico para os profissionais da área de música e de medicina (estatística aplicada à nutrição também foi dá hora). Além disso, a faculdade forma profissionais dogmatizados. É como um professor de ensino médio que ensina seus alunos que a igreja católica é uma assassina sanguinária e ponto. Não é ético um professor apresentar apenas o seu ponto de vista afirmando ser o mais racional, e sim descrever as principais correntes ideológicas sobre o tema. Ademais, gostaria de focar em dois temas observados na instituição que participo. Não irei estender demais, apenas mencioná-los.

Gastos com infra-estrutura x Gastos com profissionais

Há uma busca equivocada em criar mais espaço para novas turmas, não por uma melhoria na especialização, mas sim por mero incremento quantitativo e utilização "eficiente" de recursos governamentais, como os do REUNI. É triste ver que apesar do incremento de "novos" cursos (que na minha opinião deveriam ser especializações após a graduação, como Relações Internacionais, Arquivologia, Publicidade e Propaganda, Ciências Atuariais etc.) os professores reclamam da defasagem nos reajustes de salário. É necessário sim quem haja aumento na quantidade de pessoas formadas, mas é muito mais importante que não ocorra redução na qualidade do ensino para que isto ocorra. Se a economia cresce em média 3% ao ano, vamos crescer a quantidade de profissionais neste mesmo nível! Este problema é agravado com a quantidade de vagas ofertadas por determinados cursos, inclusive com cotas. Sempre fui aluno de escola pública, mas dei duro pra passar, lutei por minha vaga com a única arma que tinha, a vontade. 

Caso a universidade fosse como um bem de fácil acesso, eu poderia relaxar e chegar lá despreparado. Assim para poder passar grande parte dos alunos, o professor deveria "baixar o nível" de sua aula, prejudicando o desenvolvimento das técnicas de pesquisa. E isso é um péssimo negócio. A academia não é para todos, simples. Alguns podem seguir a carreira técnica, estudar para concursos, ou com muito azar, entrar para o BBB. Muitos veêm a universidade como uma forma de elevar a renda trabalhando em algum serviço (de gasto) público - o que os governos recentes têm incentivado também - e não como uma forma de aumentar a produção científica do país. É nisso que reside a minha queixa. A perda do significado da palavra universidade como originalmente foi concebida. Hoje alguém entra em determinado curso, daqui a três meses desiste, faz novo vestibular, passa pra outro curso.... desiste. Presta novo vestibular etc. e etc. O governo tem um papel importantíssimo na forma de lidar com este problema. Existem profissionais em excesso no curso de direito ou economia, por exemplo? Oriente os vestibulandos a ingressarem em áreas com maior insuficiência de profissionais ou reduza a quantidade de vagas para estudantes destas áreas. Assim reduz-se o ônus social com estes futuros estudantes universitários, que poderão ser muito mais produtivos economicamente se, por exemplo, estudarem engenharia elétrica ou tecnologia da informação.

Acredito que seria necessário um maior controle na criação de cursos e no nível da educação superior. Existem gastos que poderiam ser transferidos para o ensino básico e gerariam retornos muito maiores para a sociedade. Não é um diploma que torna a pessoa produtiva, mas sim o que se aprendeu e colocou em prática durante os anos em que se dedicou à sua formação.